O poder dos paradigmas
- marciliopires
- 11 de fev.
- 3 min de leitura
Temos visto na internet memes de coisas que julgo hediondas, como por exemplo brincadeiras sobre maus tratos dentro do casamento, geralmente por parte da mulher em relação ao homem. A normalização de muitas coisas , dentre outras, passa por mudança e implantação de novos paradigmas, que acabam muitas vezes resvalando e até mergulhando de cabeça no campo da subversão de sociedades inteiras.
Um paradigma é um mapa com o qual lemos o mundo. A ausência de paradigmas sobre as coisas pode levar ao fato de sermos incapazes de concluir algo e os paradigmas errados podem nos fazer tomar decisões e cometer atos impensáveis. Hanna Arendt , filósofa alemã e judia, escreveu sobre o processo de banalização da violência na Alemanha Nazista (Oh my Godwin...). O paradigma de que judeus não eram pessoas e que , dessa forma, podiam ser tratadas dessa forma, fez com que muitos alemães fizessem as atrocidades sem sentirem nada por isso.
Esse fato contraria a ideia de que o homem é naturalmente bom e que deixado à própria sorte, ele se desenvolve longe da maldade. Balela! Os ensinamentos morais, a família, a escola (desde que preocupada com essas coisas), os amigos, a igreja, etc, podem sim exercer importante função de implantar bons paradigmas a fim de que as pessoas possam dessa forma se comportar e agir dentro de comportamentos esperados para que a sociedade se mantenha saudável e próspera.
Passo então a falar sobre alguns paradigmas que julgo não tão positivos. O primeiro deles é que o casamento é indissolúvel. Esse mapa mental já arruinou tantas vidas que não me atrevo a estatísticas. Pessoas se casam com o objetivo de constituir uma família, de terem um lugar onde pessoas se cuidam, protegem-se e onde elas possam crescer , repousar, alimentar-se e ter um refúgio do mundo. O termo bíblico que gosto é regozijo. A família é um lugar para que se possa regozijar com a vida. Apesar dos problemas do mundo.
Fato é que , por vezes, esse não é o caso. O lar acaba sendo um lugar pior do que na rua, um lugar de micro tragédias pessoais, nas quais a auto-estima, a saúde, o amor e a sanidade mental acabam por se esvair e a destruição pessoal e dos filhos torna-se algo diário. Nesse caso, o que é o melhor a fazer? Logicamente , tentar a solução, tentar a melhora e a reconciliação, mas se isso não for possível, o melhor é o divórcio.
Mas o paradigma de que o casamento é para sempre, até que a morte os separe, entra implacável em muitas vidas, fazendo com que as pessoas envolvidas, mesmo não se amando mais e até se odiando, sejam forçadas a viver uma prisão de alta periculosidade. Muitas vezes as pessoas escondem-se atrás da proteção dos filhos, ou dos bens, mas o fato é que o divórcio dá medo, mas da mesma forma que todos pulariam de um barco afundando, um casamento ruim é muitas vezes pior. De todas as decisões que alguém tomará na vida, o parceiro(a) de vida será a mais importante.
Poderia citar vários outros, que podem e vão ficar para outros textos. Mas a ideia de aceitar algo ruim a longo prazo e de forma definitiva não pode ser opção para ninguém. Não vou citar o cliché de que nascemos para ser felizes. Mas pelo menos posso dizer que não nascemos para viver uma vida miserável.
São José dos Campos, 11 de fevereiro de 2026.

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