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O porquê do absoluto.

  • marciliopires
  • 27 de jan.
  • 3 min de leitura

Quando criança meu pai , certamente um dos homens mais inteligentes que conheci, dizia-me que a única coisa absoluta era Deus. Confesso que demorou um certo tempo para entender o que ela dizia, mas hoje tenho uma visão mais clara das suas implicações. Apesar de religioso, não no sentido ortodoxo da palavra, eu vou me referir aqui ao conceito teológico de Deus.


Se analisarmos o que é absoluto, podemos inferir que o absoluto tem uma mesma natureza da verdade, ou seja, ela foi, é e será. Dentro dessa ótica, nada é absoluto. O planeta em que vivemos não sempre foi e nem sempre será, assim as estrelas, civilizações, ideias e todo o resto das coisas. Mas o absoluto, que é o Deus teológico, transcende os limites temporais e espaciais e define a verdade.


Assim, aceitar a ideia de Deus , define consequências gigantescas na vida humana, vou enumerar algumas. A primeira ideia que surge é que existe inteligência que transcende os limites da vida, esse conceito nos leva a possível continuidade da vida em outras dimensões e define uma possível responsabilidade pelo que fazemos nessa vida. São conjecturas, eu sei, mas que não existiram sem a ideia de Deus.


Pascal, Polímata francês, conjecturou o que se configura na aposta pascalina. Ele diz que há a possibilidade de não haver nada após essa vida e que há essa possibilidade. Ele também elucubra que o resultado do pós-vida (se é que ele existe) depende daquilo que fazemos aqui, o que é totalmente coerente com a crença em Deus. Ele conclui o seguinte: Entre viver uma vida inconsequente, satisfazendo os desejos e viver uma vida regrada, é preferível a segunda opção pois caso haja um pós-vida, perde-se um pouco da exploração de prazeres nessa existência, para ganhar uma vida de satisfação após e , caso não haja pós-vida, ganha-se somente o tempo desta vida.


Parece pueril , mas uma análise atenta revela que é um fato de que a existência de um Deus, que define absolutamente o que é certo e errado, pode ser um problema àqueles que querem viver como quiserem , sem nenhuma consequência de ordem metafísica, passa-se então à tentativa da destruição da imagem divina, justificando assim quaisquer atos que possam ser cometidos.


A não existência de um Deus rompe o limite do absoluto e cria uma sociedade onde quaisquer coisas são aceitáveis, frases como a minha ética, o meu certo e errado, a sua moral, etc, fazem com que tudo seja aceito, sem direito a crítica ou censura.


Todavia, o homem não prescinde do absoluto e o vácuo deixado pela ausência de um Deus é alvo de ideologias, basicamente de esquerda, que tentam definir o absoluto, principalmente na presença do Estado. Daí as frases como "A religião é o ópio do povo", daí as perseguições a pessoas que buscam no metafísico o seu absoluto. O Estado se impõe como a fonte da verdade, como aquilo que não se questiona, na busca daquilo que a deidade é.


De longa data me tornei avesso à ideias como essa. Quando adolescente eu ouvia avidamente o programa da rádio Central de Moscou, às 19 h (horário de Brasília) em um português perfeito e falas como "luta de classes" , "proletariado" , etc, enchiam a minha cabeça. Churchill já dizia que se não fomos comunistas até os 17 anos , não temos coração e se continuamos após isso, não temos cérebro.


A minha ruptura veio quando li uma frase de Lenin, idealizador da revolução bolchevique de outubro de 1917. "Eu gosto da fome, não porque ela faz o povo perder a fé no Czar, eu gosto da fome, porque ela faz o povo perder a fé em Deus"


Lamentável.


São José dos Campos, 27 de janeiro de 2026.

 
 
 

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